O vídeo é meio brega, não é original (não há), o que vale é a música
Pink Moon - Nick Drake
I saw it written and I saw it say Pink moon is on it’s way And none of you stand so tall Pink moon gonna get you all It’s a pink moon It’s a pink, pink, pink, pink, pink moon.
Sexta à noite vamos a Londrina, tocamos sábado. Da outra vez foi do enorme caralho. Londrina é uma puta cidade legal, cheia de malucos que curtem rock pra caramba e curtem o trampo do Marião. Juntando esses quatro fatores, cidade, malucos, rock e a poesia do Mário, dá um PUTA show. Poria meus amigos num avião, só pra ir ver esse show. E dessa vez o Brum poderá ir, devemos fazer um workshop de blues antes do show. Ontem à noite eu, o Rick, o Watanabe e o Brum passamos as músicas que iremos tocar na pré-estréia do filme do Mário, "Nossa vida não cabe num Opala". Junto, vai rolar o lançamento do livro (quase) homônimo, também do Mário. É na Avenida Paulista, 900, térreo baixo, às 20h30. O Brum, de semi-ressaca, comprou pão, umas linguiças e umas carnes, me pediu pra trazer coca-cola. Fizemos um mini-churrasco no apê desse meu mano velho, e com o Rick e o Watanabe demos risadas e fizemos música. Boa música. Esse é o jeito certo de começar a semana.
O gordo e o Brum, curtindo semi-ressaca e ensaiando pro show de hoje à noite
Chez Pagotto apresenta sua mais recente criação: Arrozê avec quinuá et millho sour les mandioques frites. Exclusiva para o cliente único do restaurante, o sr. Francisco Carvalho Pagotto.
Meu amigo Jesus Sanchez, mais que competente-excelente baixista do Los Pirata e do Pélico, me mandou esse clipe ainda quente. Olhem só que do caralho. Letra, clipe, música, tudo. Viva Jesus. Grazie, signore.
Em determinado ponto do caminho da escola do meu filho há um garoto que limpa os espelhos dos carros. Ele esfrega o espelho com um paninho e pede esmola. Às vezes dou, às vezes não. Mais vezes não. Hoje foi um dia sim. Ele veio, repetiu o gesto mecânico de limpar o espelho, eu dei uma moeda de 25 centavos, também automaticamente. Só então me lembrei que estou com o espelho quebrado há dois dias.
"Se você não gosta da sua casa, pode arrumar uma nova. Se não gosta da sua cidade, pode mudar para uma diferente. Até mesmo se você não gosta do seu país, pode emigrar para outro quando quiser (geralmente). Mas se você não gosta do seu planeta, então está sem sorte."
Estamos sempre sob uma avalanche de escândalos. Desde que me entendo por gente, desde que pude entender notíciario. Apertando um pouco a memória, aparecem nomes que frequentaram a mídia por alguns meses ao longo dos anos, como caso do grupo Delfim, escândalo da mandioca, do Brasilinvest, Polonetas, INAMPS, Coroa-Brastel, as jóias do Abi-Ackel, INSS, CEME, BCCI, LBA, esquemas PP e PC, Eletronorte, FGTS, Ação Social, VASP, BC, DNOCS, Eliseu Resende, jogo do bicho, SUDENE, Ricúpero, PC Farias, compra de votos, Vale do Rio Doce, precatórios, Banestado, Encol, Banespa, máfia dos fiscais, dossiê Cayman, Transbrasil, desvio de verbas do TRT, Celso Daniel, propinoduto, fome zero, bingos, ONGs, Meirelles, vampiros, mensalão, mensalinho, Marka/FonteCindam, banco Santos, Nossa Caixa, BMG, Varig, tráfico de armas, e mais o caralho a quatro. Isso só forçando um pouco a memória e olhando os nomes que eu lembrava no Google.
Isso é só mais ou menos o que me veio à cabeça. Mas são tantos nomes mais. Políticos, muitos políticos, instituições, empresas, órgãos do governo, prefeituras, prestadores de serviço. E é assim, desde minha infância, e creio que não fosse muito diferente na infância dos meus pais e avós, reservadas as proporções. Isso enche o saco. Encheu o meu. Tá tudo virando um ruído, um zumbido indistinto, ainda que extremamente incômodo. Misture isso com a violência surreal dos tempos recentes, com a trilha sonora onipresente da porra da impunidade, e dá nesse estado de perplexidade, uma dormência quase choque. Tonteia, confunde, exaspera. Cansa.
Fazendo força pra lembrar de escândalos, acabei usando uns neurônios inativos desde os anos 70. Surgiram alguns slogans publicitários do regime militar. Brasil, ame-o ou deixe-o. Uma musiquinha veio, da época ufanista dos Incríveis (aliás, incríveis é um nome que vem muito a calhar pra eles: não dá pra acreditar mesmo que eles fizeram essas merdas). É assim: este é um país que vai pra frente, uou, uou, uou, uou-uou.
É isso aí. Tenho um slogan novo. Brasil: esse país cansa. Uou, uou, uou, uou-uou.
A gangue: Manito, Fábio Brum, Alamiro Sanhueza, Val e o gordo
Festa da revista Blues 'n' Jazz, Bourbon Street, quarta-feira dessas aí. Nessa ocasião, descobri que havia um ranço babaca com um cara bacana, que graças a Deus nesse dia acabou. Não houvesse valido pela diversão, valeu por isso. Tô ficando velho pra cultivar merda.
Às vezes, até numa comediazinha romântica na TV sai algo que presta. Tudo bem que essa era com o Chris Rock, já vi muita coisa legal do cara. Certa altura do filme ele diz:
"You know, some people say life is short and that you could get hit by a bus at any moment and that you have to live each day like it's your last. Bullshit. Life is long. You're probably not gonna get hit by a bus. And you're gonna have to live with the choices you make for the next fifty years."
"Sabe, algumas pessoas dizem que você pode ser atropelado por um ônibus a qualquer momento e que você tem que viver cada dia como se fosse seu último. Besteira. A vida é longa. Você provavelmente não será atropelado por um ônibus. E terá que viver com as escolhas que faz pelos próximos cinquenta anos."
Batman prestes a encher o Coringa de porrada, na delegacia
Fomos ver o filme do bátima, eu e Adriana, minha mulher, e um casal de amigos, Rodrigo e Cris. Merda de filme. Violento pra caralho. Despropositadamente violento pra caralho. Não como num filme de Tarantino. Confuso, edição fragmentada, roteiro todo furado, personagens flutuando aqui e ali. Não envolve. Cheio de crueldade e sadismo. A mocinha do filme morre queimada. Há tortura e abuso de autoridade policial. Há até mesmo o sequestro internacional de um criminoso estrangeiro; batman viaja a Hong Kong para capturá-lo. À semelhança do que ocorreu com os presos na base de Guantánamo. Um dos vilões rapta a família do comissário Gordon, e por um momento acreditei mesmo (e creio que todos no cinema também) que iam meter uma bala na cabeça duma criança de sete anos.
Talvez eu tenha ficado irritado, e Adriana também, por já estarmos abalados com o que vem acontecendo nas nossas próprias ruas, ultimamente. Uma realidade ainda mais crua e chocante do que a mostrada no filme. Policiais despreparados atirando a torto, matando crianças e vítimas de assaltos. E depois mentindo que havia fogo de criminosos ou adulterando as cenas do crime, na tentativa de escapar às consequências do despreparo. Choca mais a covardia de enfrentar as consequências dos próprios atos do que o crime em si. Sim, seria aceitável, ainda que terrível, dentro de um contexto normal, que houvesse feridos inocentes num tiroteio entre forças policiais e criminosos. Mas, sendo as coisas tortas como são no nosso país, os policiais, de modo covarde, tentam se evadir à responsabilidade dos próprios atos. E ainda há o tema do odioso abuso de autoridade policial, algo especialmente sensível pra mim.
O filme ainda é calcado em questionamentos morais confusos sobre o bem e o mal, sobre quem é herói e quem é vilão, que vão de nada a lugar nenhum. Como o motivo que impulsiona o coringa a fazer o monte de merda que faz: uma espécie de niilismo inconsequente, que vem a servir bosta nenhuma. O Coringa parece querer provar que todos somos animais selvagens, e que todo homem acaba revelando isso, se exposto às condições corretas. E ele tem sucesso com um dos personagens, que acaba se tornando vilão, Harvey Dent, o duas-caras, apresentado como bastião da moral e bom mocismo, o "cavaleiro branco" de Gotham, oposto ao batman, o "cavaleiro negro".
Harvey Dent diz durante o filme, antevendo o que se tornaria: se você lutar durante muito tempo, acaba se tornando o que está querendo combater. Porém, aí o Coringa falha na tentativa de de provar sua hipótese, quando coloca um grupo de criminosos numa barca e um grupo de cidadãos inocentes em outra, coloca bombas nas duas e corta as comunicações entre elas. Cada barca tem o detonador que explode as bombas da outra. O coringa diz que explodirá as duas barcas, se uma não apertar o detonador que explode a outra; porém, as pessoas em ambas optam por não se explodirem. Nesse bem como em outros momento, não fica clara qual é a tese do filme, supondo que há uma.
É claro que a macacada acha porra nenhuma. Coça o cu, come banana e pipoca com pepsi, arreganha os dentes e guincha, nas poltronas. Acha do caralho ver esse monte de desumanidades na tela, como vi aplaudirem cenas de tortura em "Tropa de Elite". Acefaladamente. Lamento muitíssimo, mas não consigo fazer o mesmo. Sinceramente gostaria de fazer o mesmo, seria muito mais divertido ver esses filmes, aproveitaria melhor meu dinheiro. Os babuínos saem do cinema papagaiando os memes plantados pela imprensa: "esse batman é o mais pesado de todos", "o coringa do Heath Ledger é o mais perturbado", e por aí vai. E vão embora, achando que não é com eles, como sempre.
Ontem passou mais um dos documentários distópicos e apocalípticos do Discovery Channel, sobre o que aconteceria se a humanidade desaparecesse de repente. Em resumo, em 10 mil anos não sobraria nada, talvez resquícios de obras como a grande muralha da China e as pirâmides do Egito. Pior que isso, em 100 anos, nada restaria de arte e literatura, sem os esforços de manutenção. Nada. Livros, filmes, quadros, esculturas. Todo o drama, beleza, amor, ódio. Tudo degradaria até virar pó. Em 300 anos, sem intervenção do homem, mesmo as mais bem projetadas e resistentes estruturas de concreto e aço desabariam. Em 1000 anos, as cidades estariam de volta ao que eram antes de qualquer ocupação humana.
Enfim.
Agora à tarde conversando com meu chapa Felipe Parra, discutíamos sobre a babaquice generalizada. Felipe me mandou um vídeo desse cara, George Carlin, muito lúcido. Felipão me contou que viu o vídeo, achou do caralho, e mandou pra algumas pessoas. Elas acharam antiecológico e americanóide. Mas é muito lúcido, além de ter a ver com o assunto do hecatombe ao qual parecemos estar destinados, e marchando rumo a ele de modo irremediável. É um chute no saco dos ecochatos, e que coloca as coisas numa perspectiva que, apesar de irônica, não deixa de ser verdadeira, de acordo com o programa do Discovery Channel. Vejam o vídeo do Carlin:
Não é antiecológico, entendam. Ser antiecológico é burro, ainda mais que as consequências do nosso comportamento predatório estão cada vez mais evidentes. Digo isso pra evitar comentários de xaatos xiitas. Vão pentelhar outra baleia que essa aqui em breve estará extinta.
PS: ao pesquisar o cara no google, descobri que George Carlin morreu faz exatamente um mês, dia 22 passado. Salve, George. Pena que não deu pra tomar uma junto contigo. Tomo uma com o Felipão e brindaremos a você, ok?