O lutador 
Meu filho participou pela segunda vez do campeonato de judô da escola. Francisco é uma criança meiga, muito pouco agressiva. Qualidade há alguns anos, em tempos menos neuróticos, afabilidade hoje é defeito. Como no ano passado, ele teve que enfrentar adversários de faixa superior ou maiores do que ele. No primeiro combate ele pegou um menino maior e mais pesado. Mesmo assim, ele foi mais técnico, e apesar da diferença de peso e altura, conseguiu ter mais presença na luta e derrotou o adversário maior. No segundo combate, o outro menino, bem mais agressivo, o derrubou no chão mal começou a luta. Francisco bateu forte o rostinho, e começou a chorar. Eu estava ao lado, fotografando. Parei de fotografar, o chamei, ele levantou, veio, me abraçou. - Doeu? - Doeu, pai. - Filho, às vezes a gente cai e machuca. Quando é assim, a gente levanta, limpa a lágrima, fica forte de novo e volta pra luta. Então volta lá porque tem uma luta pra terminar, filho, e a gente não deixa uma luta no meio dela. Volta com força, o papai tá aqui com você. Vai, filho, volta lá, com força. O abracei e o virei pro tatame. Ele voltou, arrumou o quimono, e retomou a posição de luta. Eu disse, alto: - Força, filho! O menino veio pra cima com tudo. Mas meu filho resistiu, e eu gritava: -Força, filho! Ele conseguiu derrubar o menino, apesar dele ser maior. Conseguiu derrubar, o prendeu no chão e venceu a luta. Ganhou medalha de ouro.
Escrito por Fabinho às 00h12
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