É isso aí (ou não)


Sexta, Tex-Mex

 

Eu, Zappa, Brum e mr. trovoada, Migué. E lots of beer & fun.



Escrito por Fabinho às 18h33
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Vigaristas na João Moura, quinta


Vão lá. Garanto um showzaço.



Escrito por Fabinho às 16h15
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Some flowers

 



Escrito por Fabinho às 18h02
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Vagina



Foto Fernando Esselin

Fernandão me mostrou uma vagina, agora de madrugada. Uma belíssima vagina que ele fez. A história: Fernandão participa de uma comunidade de poetase poetisas, onde todos postam poemas e fazem comentários. Uma amiga dele, Alessandra, fez um poema sobre menstruação:

Menstrual


"Se me perguntares Leitor,

Donde me saem tantos versos,

Eu te respondo:

 

Não faço versos, eu os menstruo,

menstruo-os como o sangue da Virgem,

vertido no coágulo duma ferida perene

que me consome a Alma.

 

Esta Borboleta que voa e revoa

Continuamente dentro de mim.

 

E assim eu menstruo versos,

Que me circulam nas trompas,

Versos que vão e que vem

Que vem e que vão...

 

 E nesse ciclo menstrual de versos

Hei de sangrar poesia até a última gota,

Até o derradeiro ruflar de asas"


A galerinha caiu de pau. Mas não na forma do poema, e sim no tema, de forma babaca e enojada. Fernandão se inspirou e fez uma resposta a essa Sociedade dos Poetas Antissépticos:


Vagina


"Boca de logo que engole o verbo.

Losângulo hirsuto que se escreve em luz.

Entorpece semideuses. Leva homens

e mulheres à loucura ou a santidade pagã.

 

Você é o maior prêmio das rinhas

pelo poder. Poder e dinheiro levam a ti.

O amor leva a ti. A lascívia te leva a molhar

O mundo...

 

Por onde correm rios que

deságuam dentro e fora do teu universo.

 

Beijo seus lábios delicados e mudos

E conto ao mensageiro das miragens

o quanto  me encantam seus mistérios."



Escrito por Fabinho às 05h49
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Periferia - qual teu futuro?

Tony postou esse texto. Apagou uns dias depois, mas eu pedi que ele postasse novamente. Tony trabalhou em escolas de perfiferia como monitor. Me narrou horrores diversos. Leiam alguns deles. A foto eu pus, achei na internet.

Periferia - qual teu futuro?

Foi-se o tempo do pagode. Quem tem entre 11 e 18 anos está pouco se lixando para a maliciosa ginga ( pobre ) daquele samba de quem não gosta de samba. O tempo do sertanejo também está acabado. A molecada da periferia escuta apenas funk e às vezes ( os mais radicais ) rap. Mas é rap de bandido, de tiros, de sangue. Qual vai ser o futuro dessa galerinha ?
Eles respeitam apenas quem tem. Se voce tem grana ( vinda de onde vier ) voce merece respeito. Se voce não tem, voce é um zero. Daí vem a falta de respeito pelo professor, um zero, pobre, derrotado. No funk eles aprendem tudo de errado sobre sexo : -" Como vai sua puta ? " -"E voce, sua galinha?" Eu juro, muitas meninas de 13 anos se cumprimentam assim. Os garotos ( 12 anos ) falam ( tentam ) com voz de bandido e andam pelos corredores passando a mão na bunda das meninas ( 12 anos ). Elas riem. Ou dão um soco. E fica por isso mesmo, o garoto se vai, sorrindo, pensando que isso é ser homem.O tal do Amor platônico ? Só entre os emos. ( Poucos emos ).
Sabem tudo sobre informática. Todos têm maravilhosos celulares, os mais modernos, com tv e tudo mais. Passam o dia ouvindo funk, nos corredores, na rua, na aula. Recebem e mandam mensagens de minuto em minuto, porém são incapazes de redigir um pensamento coerente e alguns mal sabem escrever o próprio nome. Mas e daí ? Têm um tênis bacana e um mp5 !
Como pessoas do século XVI, reagem visceralmente a tudo que lhes atinge. Se não gostam de alguma coisa, negam sua existência ou partem pra porrada. Se gostam, dão a vida. A periferia desconhece Voltaire e Diderot : o iluminismo não chegou lá. As luzes da razão jamais iluminaram seus becos e vielas. Não tente lhes ensinar a ter bom senso, racionalidade, a pensar nas consequencias de um ato, nada lhes pode mudar, são medievais, se guiam pela força, pelo desejo sem freio e pela superstição. Religiosos são todos, espiritualizados, nenhum.
Moderninhos pra caramba ! Sabem tudo sobre as novas séries da Universal, Warner, Sony; conhecem novas danças e adoram roupa bacana. Para eles um filme de janeiro é velho em julho e uma música de abril é passada em maio. Público consumidor melhor, não há !
Mesmo assim eu aprendi a conviver com eles, e até a gostar de alguns. Adquiri, a custa de muito esforço, seu respeito. Falando a verdade, usando seus códigos, sendo direto. Há algo de muito infantil, de muito sincero em todos eles. Se não vão com sua cara, falam no primeiro contato. Se gostam, te seguem sem jogo algum. Nada de afetação, nada de frescura. Aqui, na perifa, não tem Oscar Wilde, Oscar de La Renta ou The Oscar goes to..., tem muita giria, muito palavrão e muito contrabando de coisinhas que tocam musiquinha. É miserável, é triste, é sem futuro. E está sempre numa festa de sexo, sexo e sexo. Mas não se iluda : Seus moleques são arautos do futuro. Sempre são. Foram os caipiras do Tennessee que anunciaram os tempos do rock em 1955; foram os cockneys de Brixton que anunciaram o glitter e os favelados da Jamaica que trouxeram o reggae; negros miseráveis da Philadelphia criaram o disco e favelados de Detroit o electro; Rap-Punk-Funk- tudo vem da perifa ( e até a revolução francesa, russa e escambau vem/veio dalí ). Pois é de lá nosso futuro : Analfabeto, cheio de transas sem amor ou sentido, com muito consumo de bobagens moderninhas e uma total falta de história ou razão.
A única filosofia é : O que eu quero é agora! E agora é sempre!



Escrito por Fabinho às 23h29
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Vamos ao paincenter

A porra da pedra é esse troço amarelado. Em volta, meu pobre ureter.


Sexta do feriadão ganhei uma excursão ao paincenter. Paincenter, mesmo, não play. Mas há semelhanças nos dois programas, já digo porque. Meio-dia, acordei, beijei meu filho, brinquei um pouco com ele. Fui dar uma mijada. Saíram só uns pinguinhos, doeu pra cacete. Doeu o cacete pra caralho (não podia perder a oportunidade de dizer desse modo). Vomitei uma vez. Pensando que merda seria, resolvi tomar um banho quente. Aí começou a doer mais ainda, dessa vez as costas, na altura do rim esquerdo.  Vomitei de novo. Já suando frio, disfarçando pra não assustar meu filho, disse ao meu irmão que precisava ir ao hospital. Tenho plano de saúde agora, cortesia da Adriana; ou a coisa talvez tivesse sido muito pior. Fomos ao São Luiz, no Morumbi. Lá pela metade do caminho, a dor já era excruciante. Suava pacas, tentando não gritar. Entramos pelo pronto socorro, logo me puseram numa maca ao lado de outras, separadas por cortinas. Nelas, um monte de outros homens, mulheres e crianças com doenças diversas. Uns deitados de lado, outros com soro pendurado, com o rosto entre as mãos, ou sentados na beira da maca. Contrações de dor, com a roupa descombinada com que vieram de casa, colocada às pressas, um parente ao lado afagando-lhes a cabeça. Como minha mãe afagava a minha. As crianças gritavam, os adultos choramingavam. Eu dava uns berros curtos, porque a dor era lancinante. Aliás, só tendo uma dor filhadaputa dessas pra entender o significado completo de "lancinante". É uma dor que corta a alma.

Em comum entre os doentes do pronto socorro, só a expressão no rosto. Cara de pronto socorro. Olhos muito abertos, surpresa, dor, ansiedade, medo. Que merda tá acontecendo comigo, pensa quem ainda não sabe o que tem, e que merda vai acontecer comigo, matuta quem já sabe porque tá lá. Mas a cara é a mesma. Enfermeiras passando, eu deitado ali, me contorcendo, pensando quando alguém vai me dar algum remédio, se é que vão dar. Segundos parecem minutos. Vontade de mijar permanente, acho que vou mijar nas calças. Meio dobrado, com uma expressão no rosto de quem acabou de ser torturado a tridente em brasa pelo belzebu em pessoa no último círculo do inferno, pergunto a um enfermeiro onde é o banheiro. Diz ele, com a voz afeminada, que é no fim do corredor. Vou cambaleando até lá, não tem nada. Sinto ânsia de vômito de novo. Nos dois lados do corredor tem gente recebendo soro. O mais próximo lugar de vomitar é a pia onde preparam as medicações. Uuuuuaaaaaarrgh, huuuuuugo. Trêmulo, envergonhado, tento abrir a torneira pra empurrar o vômito embora, mas ela é esquisita, de hospital, e não consigo. Pelas costas, ouço uma enfermeira falando ao enfermeiro, meio jocosamente: coragem, vai lá.

- Olha, essa pia é pra preparações, eu disse pra você ir ao banheiro fazer isso.
- Não tem banheiro lá, a porta tá fechada.
- É porque tem alguém lá, você tinha que ter aguardado.
- Cara, eu estou vomitando, o que você queria? que eu tivesse vomitado no chão?
- Era melhor.

Pensei: bichinha, estou com um alien me moendo as entranhas, mas ainda tem o suficiente aqui pra catar você pela nuca e socar tua cara uma dúzia de vezes no meu vômito. Mas uma vez que a porra da bichinha podia me ferrar, já que eu sequer havia sido medicado ainda, me limitei a dizer: - você tem muito pouca consideração por um doente, levando em conta tua profissão. Bicha de merda, pensei em silêncio. Cambaleio até a maca de novo. Um milhão de anos passa, enfermeiras perguntam coisas, um médico aparece, volta e meia eu urro de dor. Aí vem uma com aquela bandejinha metálica em forma de feijão, enfia uma agulha grossa o suficiente pra passar o metrô no meu braço, ligada a duas entradas. Numa ela espeta o soro, na outra aplica uma injeção. - Isso é dimorf, vai aliviar tua dor em alguns minutos. De facto. A dor vai cedendo, a conta-gotas, mas vai. Mais uns minutos e estou doidão. De morfina, vim a saber, após perguntar ao enfermeiro por que ele tava vestido de palhaço, se era coincidência que o irmão gêmeo dele trabalhava ali, e por que o irmão não usava roupa de palhaço. - Você tomou morfina, tente relaxar. O palhaço foi embora sem fazer nenhuma graça pra mim.

Oh yes, baby. Relaxei. On a boat on a river, with tangerine trees and marmalade skies. Dimorf rolando suavemente nas veias e massagando receptores de prazer no meu cérbo, tão judiados pelos rins malvados. Ouço ciganos falando em romeno na maca ao lado. Me passam pelo ultrassom, aparecem duas pedras, uma no ureter e outra no rim. Vem um médico, urologista, parece um muppet, aquele muppet verde que tocava saxofone. O muppet me diz que vou ter que ficar internado e que vão me operar no dia seguinte pela manhã. Eu digo maravilha, dotoire, que bom. Ele podia ter dito que iam cortar meu pau fora e botar uma entrada USB que eu ia achar chuchu beleza. Me levam pro quarto, durmo chapado até a hora da cirurgia. Sonho com cavalos alados e que estou voando alto entre as nuvens.

Woke up, fell out the bed. Ponho a batinha de papel de hospital, vem o doutor muppet, que a essa altura não estava mais verde, e me diz que irão remover a pedra do ureter com uma sonda. Subo na maca, um dormonid, doidão de novo. Na sala de cirurgia, o anestesista me aplica uma anestesia nas costas, mas fico semiconsciente. Minhas pernas ficam moles. Doutor muppet, próximo dos meus países baixos, prepara a sonda e me põe naquela posição de parto, e pergunta se eu vou dar o nome dele, se for menino. Com a metade de baixo  do meu corpo completamente anestesiada, respondo com um peido enorme à queima-roupa. Sorry, doc, você tava na linha de tiro, fogo amigo. A equipe ri. Máscara de oxigênio. Apago. Acordo ainda na sala de cirurgia, com o doutor me mostrando um vidrinho com o cálculo, "é um menino", diz. Ele fala à equipe: vamos finalizar porque tenho mais dois pacientes pra operar. Apesar de grogue pra cacete, disparo: -mentira, você quer é ir soltar a franga na parada gay, cara. A equipe gargalha. Domingo tinha parada.

Chapo direto até de manhã. Acordo careta, que merda. Ao menos sem muita dor, apenas um incômodo no pinto. Aí descubro que puseram um tubo de borracha no meu pau, conectado a uma bolsa cheia de mijo. Putaqueuparalho. Fico com aquela merda pendurada até terça. Pra ir ao banheiro é uma foda, enrolado no tubo de soro, carregando um saco de mijo dependurado no pau. Segunda de manhã vem um par de enfermeiros, arrancam a porra do tubo de borracha. Claro que a sensação foi de enfiarem um arame em brasa na minha uretra. Solto um urro capaz de fazer um viking voltar cagando branco pro barco dele. Depois vem o doutor, alegre, com um CD das imagens da sonda, lembrança do paincenter. Igual àquelas fotos que tiram no playcenter, de você escorregando no tobogã gigante. Rola mais um dimorf, doc? One for the road?



Escrito por Fabinho às 04h58
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Discos voadores na bíblia

Fábio Pim arrumou um estúdio/conserta-se bolsas/consultoria sobre discos voadores para ensaiarmos com a Blues Spirit, quinta passada. Acho que alguém até já havia me enviado essa placa, mas como ensaiamos lá, tirei a foto. O estúdio é cheio de E.T.s de plástico, e o dono de fato é uma autoridade respeitada (aspas?) em discos voadores, especialmente na bíblia. Não puxei papo com o cara para não arriscar ser abduzido por horas e horas.



Escrito por Fabinho às 05h17
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HOUVE UMA VEZ UM VERÃO

Mais um texto inspirado do Tony. A foto eu escolhi:

HOUVE UMA VEZ UM VERÃO

 

Como alguém podia viver com 6 canais de tv.
Só seis!
Desliguei e fui pra rua.
Andei de bicicleta até escurecer.
As 19, fui jogar bola com meus amigos japas: Celso, Nelson, Hideo, Donato, Hugo e Luis ( sempre há um Luis na colonia ).
Voltei pra casa às 22, o joelho ralado, morto de cansado.
No quarto, terminei de montar o planador da Revell que vou soltar amanhã.
Moro de frente à tv Bandeirantes.
Na verdade, são 200 metros até a tv.
Acordo e levo o planador.
Faz sol. Lá bem longe, posso ver o relógio do conjunto nacional, na Paulista.
Ele voa! Ele voa! Ele voa!
Meu primo me leva a nossa lagoa. Vamos ver os caranguejos e nadar pelados.
Vemos caranguejos e nadamos pelados.
Ao voltar pra casa, posso comer um boi.
Na escola, jogamos bolinha de gude, futebol, queimada.
Mato as últimas aulas, e como o celular não existe, não preciso desligá-lo e criar uma desculpa.
Pego carona na avenida.
Juro que é verdade. A gente parava um carro ( de preferencia dirigido por uma mulher bonita ) e pedia carona para a cidade.
A cidade é tudo o que fica do rio Pinheiros pra lá.
Tenho 15 e uso o cabelo até os ombros. ( ah ... que saudades desses fios castanhos...)
Vou ao Astor.
O GAROTO SELVAGEM do Truffaut.
Não gosto.
Mas sei que é bom.
Então assisto até conseguir gostar.
Gosto.
Cinema.
Se fazia sexo no cinema.
Nas poltronas e na tela.
As cenas de sexo eram felizes. Ninguém era punido por ter pulado o muro.
A tela tinha cortinas e o lanterninha te ajudava a encontrar um bom lugar.
Bom...
Descí a Cosolação de carona e me perdí no centro.
Escureceu.
Fiquei olhando as meninas de rua, as damas da noite.
Não haviam travestís. Travestís, só em shows e na rua delas.
Voltei a pé.
Na Teodoro, muitas famílias na rua. Andando. Falando alto.
Um jogo de bobinho na rua Fidalga.
Muito sotaque de portuga, de italiano, de japa, de espanhol.
Como tinha estrangeiro em SP !!!!!
Meu amigo dormia de janela abaixada.
Eu abria o portão e pulava a janela. Era pra não incomodar os pais dele.
Caramba! Ele tinha conseguido um vinil do Ted Nugent!!!!
Que tesouro!
Escutamos 3 vezes e gravamos pros caras da escola.
Disco era vendido como artigo de respeito.
Valia o peso em ouro e ninguém pirateava.
As fitas eram dadas, jamais vendidas!
Voltei pra casa muito tarde...meu pai conversava na sala com minha mãe ( tinha faltado a luz )
Os sapos cantavam por todo lado ( sapo canta ! ).
Com luz de vela, relí Tom Sawyer.
Eram só 6 canais de tv.
Pintei uma telinha que eu tinha abandonado pelo meio um ano atrás. Vì que não sou pintor.
De madrugada, escreví uma longa carta para a Aninha.
Caprichei na letra, e pintei o papel de azul.
Jamais foi enviada.
Minha mãe foi a granja comprar um frango vivo e fui com ela. De manhã, cedo.
Nessa tarde, matei aula para jogar vídeo-game.
Voce tinha de jogar na rua, numa casa de diversões eletrônicas.
Voce jogava com neguinho te vaiando, torcendo contra, fazendo piada.
Era um frenesí.
Fizemos um baile na casa do Pedrão.
As meninas dançaram de rosto colado. Com os caras.
Fiquei muito vermelho.
Eu pegava uma vassoura e ensaiava no quarto.
Não existiam darks ou emos.
Eram rockers e caretas. Só.
As roupas eram muito vivas, os cabelos muito loucos e a gente cheirava a suor.
E tinha caspa.
Se transava nas escadas dos prédios.
Não existia câmera.
Quando voce batia uma foto, era pra sempre. Não podia ser corrigida. Era o momento decisivo.

Tempos depois, apresentei minha primeira peça.
Era 1985, mas ainda havia um rastro dessa era anos ingênuos e alegres.
O público aplaudia no inicio.
Vaiava os vilões.
Assobiava pras gostosas.
Respondia às falas.
Reagia.

O mundo nos congela, hoje, às telas solitárias, ao cinema fácil, ao estar só.
Tudo pode ser feito só. Até mesmo brincar.

Eu andava pela praia do Tombo e dormia na areia de Pitangueiras.
Não usava preservativo.
Voce entrava no tesão e ia instinto embora.
A sorte decidia o futuro.

6 canais de tv!!!!!!



Escrito por Fabinho às 01h11
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Take the A Train

 

musicalidade incrível desse cara...



Escrito por Fabinho às 06h18
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Sobre ratos

(do blog do Marião):

Os amigos falam sobre o Saco de Ratos em seus blogs:

"Terça feira fui ao show da banda Saco De Ratos Blues no The Wall, ali na 13 de Maio, praticamente ao lado da antiga sede de produção do filme Meninos de Kichute. Já tinha vistos alguns shows antes, mas este, em particular, tinha alguma coisa de especial. Eu tava num daqueles dias putos, me decidindo se cortava os pulsos ou começava militar na ong da lucinha araújo, antes que o pior acontecesse me mandei pro The Wall. Sentei-me proximo ao palco, ao lado das amigas Fernada Dumbra, Cris Couto e a Sra. Montenegro, mas em volta, pelo salão, em outras mesas estavam os velhos amigos de sempre, cada um fazendo o que sempre fez e nesta noite, olhar cada um deles, também me fez muito bem. O show começa bem PORRE EM IRERE, mas num dado momento o show começa a ficar intimista, o Marião começa a dichavar umas canções cujas letras vao aos poucos desconcertando, me fazendo desviar o olhar do palco, procurar fuga na lata vazia de energético. Nao é constrangimento, só uma timidez filha da puta que as vezes me impede de compartilhar determinados sentimentos. Saquei naquele dia que a arte ainda é a melhor maneira de dizer alguma coisa, qualquer coisa, nem que seja apenas: é, as coisas não são faceis, mas e daí, o que você sugere? O show da terça feira foi uma espécie de cartase pessoal que há muito tava pendurada, esperando a hora. Saí dali me sentindo vivo novamente. Pode ser que este post nao pareça muito claro, mas e daí? quem disse que seria?"

                                              (Márcio Américo)

"O Saco de Ratos, na verdade, não é uma banda. É uma quadrilha de assassinos. Eles trucidam os sons com a competência de assassinos de aluguel, de mercenários. Rick Vecchione, batera, é o esquartejador. Vai mantendo a pulsação como se estivesse destrinchando um cadáver. Pagoto é o estrangulador. Suas linhas de baixo prescindem de outros instrumentos. Bastam os dedos e as mãos pra acabar com o assunto. Os guitas Fábio Brum e Marcelo Watanabe são atiradores de elite. Carabinas, pistolas automáticas, metrancas, rifles, eles vão se revezando no fuzilamento dos inimigos, às vezes com tiros unidos e certeiros, às vezes com rajadas destruidoras. E Mario Bortolotto é o "capo" da família. É aquele que coordena as ações destes meliantes da música. Destila seu veneno pétala a pétala. Ta cantando muito e deixou de lado alguns exageros no modo de cantar. Ele tinha mania de esticar demais "esses" e "maneirismos" que tiravam a sinceridade de suas letras. Agora, não! Ele diz o que tem que dizer, com sentimento, fúria, mas deixa que a mensagem fale por si. E ele tem uma puta figura cheia de carisma no palco. É ou não é uma família de mafiosos? Don Bortolotone, meus respeitos."

                                                  (Paulão - Velhas Virgens)

"Saco de Ratos em casa nova. Agora é um bar, e isso faz toda a diferença. A banda está cada vez melhor, é o tal entrosamento. Esses caras são meus amigos, são meus irmãos e o rock'n'roll alivia. Agora um detalhe, como disse o Paulão, meu parceiro Fabio Brum não é desse planeta, a gente finge que ele é normal, mas o f.d.p. tocando guitarra é foda."

                                                                  (Pierre "Maléfico" Masato Porpeta)

"Pra quem já conhece, conhece, então essa banda dispensa apresentações. Mas pra quem está se deparando agora com os homi, saibam que estarão diante de um blues rock recheado de feeling, saibam que estarão diante de  letras sacadas de dentro do bolso daquele cara bêbado que pode perder a carteira e até o rumo de casa depois de boas e regadas doses de uísque, mas que jamais perderá seus poemas amarrotados lá dentro da alma. Saibam que estes poemas serão cantados por uma voz devidamente estragada, como um bom cantor de blues deve cantar, o Marião Bortolotto saca disso muito bem, a banda Saco de Ratos saca disso muito bem e os homi não são apenas uma banda de blues no palco, os homi são Vida Blues, os homi são: Mário Bortolotto, Fábio Brum, Watanabe, Pagotto e Rick Vechionne.

                                                                        (Ricardo Carlaccio)

 



Escrito por Fabinho às 05h28
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About her


"You may not be her first, her last, or her only. She loved before she may love again. But if she loves you now, what else matters? She’s not perfect - you aren’t either, and the two of you may never be perfect together but if she can make you laugh, cause you to think twice, and admit to being human and making mistakes, hold onto her and give her the most you can. She may not be thinking about you every second of the day, but she will give you a part of her that she knows you can break - her heart. So don’t hurt her, don’t change her, don’t analyze and don’t expect more than she can give. Smile when she makes you happy, let her know when she makes you mad, and miss her when she’s not there."

Bob Marley



Escrito por Fabinho às 07h40
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Terças de Ratos



Escrito por Fabinho às 07h33
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O lutador

Meu filho participou pela segunda vez do campeonato de judô da escola. Francisco é uma criança meiga, muito pouco agressiva. Qualidade há alguns anos, em tempos menos neuróticos, afabilidade hoje é defeito. Como no ano passado, ele teve que enfrentar adversários de faixa superior ou maiores do que ele. No primeiro combate ele pegou um menino maior e mais pesado. Mesmo assim, ele foi mais técnico, e apesar da diferença de peso e altura, conseguiu ter mais presença na luta e derrotou o adversário maior. No segundo combate, o outro menino, bem mais agressivo, o derrubou no chão mal começou a luta. Francisco bateu forte o rostinho, e começou a chorar. Eu estava ao lado, fotografando. Parei de fotografar, o chamei, ele levantou, veio, me abraçou.

- Doeu?

- Doeu, pai.

- Filho, às vezes a gente cai e machuca. Quando é assim, a gente levanta,  limpa a lágrima, fica forte de novo e volta pra luta. Então volta lá porque tem uma luta pra terminar, filho, e a gente não deixa uma luta no meio dela. Volta com força, o papai tá aqui com você. Vai, filho, volta lá, com força.

O abracei e o virei pro tatame. Ele voltou, arrumou o quimono, e retomou a posição de luta. Eu disse, alto:

- Força, filho!

O menino veio pra cima com tudo. Mas meu filho resistiu, e eu gritava:

-Força, filho!

Ele conseguiu derrubar o menino, apesar dele ser maior. Conseguiu derrubar, o prendeu no chão e venceu a luta. Ganhou medalha de ouro.

 



Escrito por Fabinho às 00h12
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Ratos no The Wall

Terça-feira dia 26, 22h, Rua treze de maio, 152, no Bexiga. Entrada cinco paus, chope dois. E a tempestade.



Escrito por Fabinho às 17h20
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O sagrado e o profano

Meu amigo Tony está escrevendo cada vez mais belamente. Vi e senti muito do que ele se refere no texto durante este final de semana, numa viagem com a banda ao interior de Minas Gerais. A foto acima é da viagem.

O sagrado e o profano

 

Existe alguma coisa sagrada em sua vida ? Voce sabe o que significa ?
Lendo o livro, duro e árido, de Margaret Atwood, tomo consciencia do que significa ter algo de verdadeiramente sagrado na vida. É aquilo que não foi profanado. Aquilo que não foi tocado, dissecado, desvirginado, vulgarizado. O que mantém seu mistério, seu encanto, seu caráter além, ou pré, razão. Sem isso, sem algo que nos faça ter esse contato, nos tornamos maquininhas vazias, corpos assassinos, mentes entorpecidas. A vida perde a luz.
Nada é ou pode ser mais sagrado que a própria vida. Quando matamos, destruímos tudo o que existe de encantador e perfeito. Mas atente : o homem sempre foi um matador. Porém, existe uma imensa diferença entre matar e MATAR.
Existe o matar consciente. Em que se percebe toda a dor e tudo o que há de trágico e inevitável naquele momento. É a morte do adversário samurai, do soldado inimigo morto no olho-a-olho, do executado em praça pública. Enxerga-se algo de ritualístico na vida. A inevitabilidade da morte. O horror que leva à transcendencia.
Existe o matar por necessidade. Para comer. Sobreviver. Agradecer, aos deuses e à própria vítima, a boa fortuna de ter caçado, encontrado. Minha vida deve sua existencia a sua vida. Vida alimentando vida.
O arrancar vida da vida. Decepar um fruto da árvore que lhe é mãe. Arrancar comida do solo que lhe é pai. Esperar o amadurecimento. Agradecer pela chuva. Pelo sol.
Tudo isso, tão simples, foi profanado. Voce mata na guerra como se guerra fosse virtual. Mortes na tela de video-game. Voce mata o assassino em cubículos isolados, onde um número é higienicamente apagado. Faz um aborto como se aquilo fosse uma simples e limpa extração dentária, um excesso de gordura eliminada. Mata milhões de animais, todos os dias, sem olhar seu olho, sem ouvir seus berros, sem conhecer e agradecer por seu sacrifício. É poupado do horror e perde o sagrado.
Todos os mares e todas as ilhas foram desvirginadas. Todas as montanhas estupradas. Não há um bosque onde um idiota não tenha ido caçar ( caçar para dar tiros, não para comer), ou se exibir em esportes barulhentos e imundos. Tudo foi profanado.
Teu corpo foi dissecado em vida, tua mente penetrada e exposta, teu sexo transformado em piada e em produto, tua religião falsificada. Sua vida e minha vida e a vida de todo bicho foi dessacralizada.Porque? - Para que possamos destruir e dormir, para que possamos assassinar em massa e engolir, para que possamos usar sem pensar. A vida se torna, desse modo, menos, muito menos que poderia e deveria ser. Se torna mecânica. Herdamos tédio, vazio e esterilidade.
Uma árvore, pelo menos uma árvore. Que seja só minha. Que tenha sido do pai de meu pai. E que eu saiba que será do filho de meu filho. Uma árvore que me dê o prazer de agradecer por sua existencia e que me permita crer no sagrado de sua realidade. Não profanada. Intacta.
Um lago onde o tempo tenha cessado. E eu me sinta parte dele e não seu senhor. Onde eu esqueça meu nome. E nada saiba sobre nada. Onde mergulhe em seu lodo e enxergue o que sempre desejei e jamais consegui. Um lago sagrado.
Animais que não me temam. E que não sejam meus escravos. Que existam intocados. Sem função nenhuma. Exibindo a vida- cruel e certeira- como ela sempre é, foi e precisa ser. Sagrados animais.
Eis aqui o segredo. Distantes dos animais, sem assistir nascimentos e mortes, comprando carne morta e ovos estéreis, nos tornamos distantes da vida não racional, da vida não planejada, da vida não profanada, do sagrado-eterno-imutável. Do ciclo, da roda, da magia.
Sei que tenho coisas sagradas. Lugares só meus a que sempre retorno. O triste é que dois deles foram profanados....não os sinto mais como sagrados. Perderam a ligação com o atemporal. Estão mortos. Foram derrubados e refeitos. Não dizem mais nada.
Um pouco de nós mesmos foi com eles.



Escrito por Fabinho às 03h58
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  Guitar Bizarre - João "Paco Garcia" Erbetta
  Patricia Bachiega Visual Merchandising
  Electric-Jam
  Daniel Poeira (whiskey and wimmim)
  Papel Manteiga
  Sebo do Bactéria
  Violando - Caio Filipini
  Fernanda D'Umbra
  Terremoto Blues Blog
  Claudinei Vieira (Desconcertos)
  Marceleza "Bottleneck"
  Lefebvre de Saboya - Breves Notas
  Juduh - Rodrigo Villalba
  Donana Registra - Ana Paula
  Aline Lima
  O Kim é um Canalha - Douglas Kim
  Fantástica Fábrica de Barulho - Fernando Tucori
  Trombone com Vara - Tony Roxy
  Giuliano Ghisi - Ghisi's Guitar Addiction
  Em busca do biólogo perdido - Daniel Cavana
  Lu Vitaliano
  Fabiana Vajman
  Xurume - Everson Mira
  Fernando Esselin
  Raizeira - Claudio Crotti